02 maio 2013

O mito vegetariano: Comida, Justiça e Sustentabilidade,




O mito vegetariano: Comida, Justiça e Sustentabilidade, de Lierre Keith, foi publicado em 2009. Keith é uma ativista feminista radical. Em parceria com Derrick Jensen e Aric McBay, publicou em 2011 o livro Deep Green Resistance: Strategy to Save the Planet.

O mito vegetariano: Comida, Justiça e Sustentabilidade


Autora: Lierre Keith
Tradutor: Janos Biro Marques Leite
Título original: The Vegetarian Myth: Food, Justice and Sustainability

CAPÍTULO 1

Por que este livro?

Este não foi um livro fácil de escrever. Para muitos de vocês, não vai ser um livro fácil de ler. Eu sei. Eu fui vegan por quase vinte anos. Eu conheço as razões que me levaram a adotar uma dieta extrema e elas são nobres, enobrecedoras até. Razões como a justiça, a compaixão, um desejo desesperado e abrangedor de corrigir o mundo. Salvar o planeta, as últimas árvores testemunhando as eras, os restos de terra selvagem ainda nutrindo espécies que estão desaparecendo, silenciosas em suas peles e penas. Proteger os vulneráveis, os que não têm voz. Alimentar os famintos. Ao menos, se abster de participar do horror da agricultura industrial.

Essas paixões políticas nascem de uma fome tão profunda que chega a tocar no campo espiritual. Ou assim elas eram para mim, e ainda são. Eu quero que minha vida seja um grito de guerra, uma zona de guerra, uma flecha apontada e disparada para o coração da dominação: o patriarcado, o imperialismo, a industrialização, todo sistema de poder e sadismo. Se essa imagem marcial é estranha a você, eu posso reformulá-la. Eu quero que minha vida, meu corpo, seja um lugar onde a terra é amada, não devorada; onde o sádico não tem lugar, onde a violência pare. E eu quero que o comer, a primeira forma de cuidado, seja um ato que sustenta em vez de matar.

Este livro foi escrito para ir mais a fundo nessas paixões, nessa fome. Não é uma tentativa de ridicularizar o conceito de direito animal ou para zombar das pessoas que querem um mundo mais gentil. Ao invés disso, este livro é um esforço para honrar os nossos mais profundos anseios por um mundo justo. E estes anseios, por compaixão, por sustentabilidade, por uma distribuição equitativa dos recursos, não são atendidos pela filosofia ou pela prática do vegetarianismo. Temos sido despistados. Os vegetarianos têm as melhores das intenções. Vou expor agora o que eu vou repetir mais tarde: tudo o que dizem sobre a agricultura industrial é verdade. É cruel, gera desperdício e é destrutivo. Nada neste livro destina-se a permitir ou promover as práticas de produção industrial de alimentos em qualquer nível.

Mas o primeiro erro está em assumir que a agricultura industrial, uma prática que tem pouco mais de 50 anos, é a única maneira de criar animais. Os cálculos sobre a energia utilizada, as calorias consumidas, os seres humanos desnutridos, são todos baseados na noção de que animais comem grãos.

Você pode alimentar animais com grãos, mas esta não é a dieta para a qual foram eles foram feitos. Grãos não existiam até os humanos domesticarem gramíneas anuais, há no máximo 12.000 anos atrás, enquanto auroques, os progenitores selvagens da vaca doméstica, estavam por aí dois milhões de anos antes. Pela maior parte da história humana, espécies que se alimentam de ramos e de grama não estavam em competição com os humanos. Eles comiam o que não podíamos comer, celulose, e transformavam no que pudíamos, proteína e gordura. Grãos aumentam dramaticamente a taxa de crescimento dos bovinos de corte (há uma razão para a expressão "alimentado com milho") e a produção de leite das vacas leiteiras. Isso também os mata. O delicado equilíbrio de bactérias do rúmen de uma vaca se torna ácido e depois se torna séptico. Frangos desenvolvem a doença do fígado gorduroso se alimentados exclusivamente com grãos, e eles não precisam de qualquer grão para sobreviver. Ovelhas e cabras, e também ruminantes, deveriam realmente nunca tocar nessa coisa.

Este equívoco nasce da ignorância, uma ignorância que percorre o comprimento e a largura do mito vegetariano, da natureza da agricultura à natureza da vida. Nós somos industrialistas urbanos, e não conhecemos a origem da nossa comida. Isso inclui os vegetarianos, apesar de suas reivindicações em relação à verdade. Isto incluía a mim também, por vinte anos. Qualquer um que comesse carne estava negando a realidade, só eu estava encarando os fatos. Certamente, a maioria das pessoas que consomem carne industrializada nunca se perguntou sobre o que morreu e como morreu. Mas, francamente, a maioria dos vegetarianos também não.

A verdade é de que a agricultura é a coisa mais destrutiva que os seres humanos têm feito ao planeta, e mais do mesmo não vai nos salvar. A verdade é que a agricultura exige a destruição maciça de ecossistemas inteiros. A verdade é também que a vida não é possível sem a morte, que não importa o que você coma, alguém tem que morrer para alimentá-lo.

Eu quero uma contabilidade completa, uma contabilidade que vai muito além do que está morto no seu prato. Eu estou perguntando sobre tudo o que morreu no processo, tudo o que foi morto para colocar aquela comida no seu prato. Essa é a pergunta mais radical, e é a única questão que irá produzir a verdade. Quantos rios foram represados​​e drenados, quantas pradarias foram aradas e florestas foram derrubadas, quanto solo virou pó e foi transformando em nada? Eu quero saber sobre todas as espécies; não apenas os indivíduos, mas as espécies como um todo; o bisão, os gafanhotos, os lobos cinzentos. E eu quero mais do que apenas o número de mortos e enterrados. Eu os quero de volta.

Apesar do que lhe foi dito, e apesar da seriedade de quem disse, comer soja não vai trazê-los de volta. Noventa e oito por cento da pradaria americana se foi, se transformou em uma monocultura de grãos anuais. O plantio no Canadá destruiu 99 por cento dos húmus originais. De fato, o desaparecimento do solo fértil "rivaliza com o aquecimento global enquanto ameaça ambiental". Quando a floresta vira carne, os progressistas ficam indignados, conscientes, prontos para boicotar. Mas o nosso apego ao mito vegetariano nos deixa brandos, em silêncio, e finalmente imobilizados quando o culpado é o trigo e a vítima é a pradaria. Nós abraçamos como um artigo de fé a ideia de que o vegetarianismo era o caminho da salvação, para nós, para o planeta. Como pode isso estar destruindo ambos?

Temos de estar dispostos a enfrentar a resposta. O que está espreitando nas sombras de nossa ignorância e negação é uma crítica à própria civilização. O ponto de partida pode ser o que comemos, mas o fim é todo um modo de vida, um arranjo de poder global, e não uma pequena medida de apego pessoal a ele. Eu me lembro de um dia, na quarta série, quando a senhorita Fox escreveu duas palavras no quadro negro:civilização e agricultura. Lembro-me por causa do sussurro em sua voz, a seriedade de suas palavras, a explicação que era quase uma oratória. Isso era importante. E eu entendi. Tudo o que era bom na cultura humana fluiu a partir daquele ponto: toda a facilidade, graça, justiça. Religião, ciência, medicina e arte nasceram; e a luta interminável contra a fome, a doença e a violência poderia ser ganha, tudo porque os seres humanos descobriram como cultivar seu próprio alimento.

A realidade é que a agricultura criou uma perda líquida para os direitos humanos e para a cultura: imperialismo, escravidão, militarismo, divisões de classe, fome crônica e doença. "O problema real, então, não é explicar por que algumas pessoas demoraram a adotar a agricultura, mas por que alguém resolveu adotá-la afinal, já que é tão obviamente bestial", escreve Colin Tudge, da London School of Economics. A agricultura também foi devastadora para as outras criaturas com quem partilhamos a terra, e, finalmente, para os sistemas de suporte à vida do próprio planeta. O que está em jogo é tudo. Se nós queremos um mundo sustentável, temos que estar dispostos a examinar as relações de poder por trás do mito fundante da nossa cultura. Faça qualquer coisa menor que isso e iremos falhar.

O questionamento neste nível é difícil para a maioria das pessoas. Neste caso, a luta emocional que é inerente ao ato de resistir a qualquer hegemonia é agravada pela nossa dependência da civilização, e nossa impotência individual para pará-la. A maioria de nós não teria nenhuma chance de sobrevivência se a infra-estrutura industrial desabasse amanhã. E a nossa consciência é igualmente impedida por nossa impotência. Não há uma lista de dez coisas simples para se fazer no último capítulo porque, francamente, não existem dez coisas simples que vão salvar a Terra. Não existe uma solução pessoal. Há uma teia interligada de arranjos hierárquicos, sistemas vastos de poder que têm de ser confrontados e desmantelados. Podemos discordar sobre a melhor forma de fazer isso, mas devemos fazê-lo se quisermos que a terra tenha alguma chance de sobreviver.

No final, toda firmeza do mundo será inútil sem informações suficientes para traçar um caminho sustentável para adiante, tanto pessoalmente quanto politicamente. Um dos meus objetivos ao escrever este livro é fornecer essa informação. A grande maioria das pessoas nos EUA não cultiva alimentos, e muito menos caça ou coleta. Não temos uma forma de avaliar quanta morte está incorporada em uma porção de salada, um prato de frutas, um prato de carne. Vivemos em ambientes urbanos, no último suspiro de florestas, milhares de milhas distantes dos rios devastados, pradarias, pântanos, e das milhões de criaturas que morreram pelos nossos jantares. Nós nem sabemos que perguntas fazer para descobrir.

Em seu livro Long Life, Honey in the Heart, Martin Pretchel escreve sobre o povo maia e seu conceito de kas-limaal, que pode ser traduzido parcamente como "endividamento mútuo, centelha mútua". "O conhecimento que cada animal, planta, pessoa, vento, e estação deve ao fruto de todas as coisas é um conhecimento adulto. Sair da dívida significa que você não quer ser parte da vida, e você não quer crescer para ser um adulto", um dos anciãos explica a Pretchel.

A única maneira de sair do mito vegetariano é através da persecução do kas-limaal, do conhecimento adulto. Este é um conceito que precisamos, especialmente aqueles de nós que são abalados pela injustiça. Eu sei que eu precisava. Na narrativa da minha vida, o primeiro pedaço de carne depois do meu hiato de 20 anos marca o fim da minha juventude, o momento em que assumi as responsabilidades da vida adulta. Foi o momento em que parei de lutar contra a álgebra básica da corporeidade: para alguém viver, alguém tem que morrer. Nessa aceitação, com todos os seus sofrimentos e tristezas, está a capacidade de escolher um caminho diferente, um caminho melhor.

Os ativistas agricultores têm um plano muito diferente dos escritores polemistas para levar-nos da destruição à sustentabilidade. Os agricultores estão começando com uma informação completamente diferente. Eu ouvi ativistas vegetarianos alegando que um acre de terra pode suportar apenas duas galinhas. Joel Salatin, um dos sumo sacerdotes da agricultura sustentável e alguém que realmente cria galinhas, coloca esse número em 250 por acre. Em quem você acredita? Quantos de nós sabem o suficiente para sequer ter uma opinião? Frances Moore Lappe diz que é preciso de doze a dezesseis quilos de grãos para fazer um quilo de carne bovina. Enquanto isso, Salatin cria gado sem grão algum, dispondo os ruminantes de modo rotativo em policultivos perenes, criando solo fértil ano a ano. Habitantes de culturas urbanas industriais não têm nenhum ponto de contato com grãos, galinhas, vacas, ou, para falar a verdade, nem sequer com o solo. Nós não temos nenhuma base de experiência para superar os argumentos de vegetarianos políticos. Nós não temos idéia do que as plantas, animais, ou o solo comem, ou o quanto. O que significa que não temos idéia do que nós mesmos estamos comendo.

Confrontar a verdade sobre a indústria agropecuária; seu tratamento torturante dos animais e seu custo ambiental; foi para mim, aos dezesseis anos, um ato de profunda importância. Eu sabia que a terra estava morrendo. Era uma emergência diária contra a qual eu vivi desde então. Eu nasci em 1964. “Primavera" e “silenciosa” eram inseparáveis: três sílabas [1], e não duas palavras. O inferno era aqui, nas refinarias de petróleo do norte de New Jersey, o inferno de asfalto da expansão urbana, da crescente onda de seres humanos inundando o planeta. Eu chorei com Iron Eyes Cody[2], ansiava por sua canoa silenciosa e um continente intocado de rios e pântanos, aves e peixes. Meu irmão e eu gostávamos de escalar um antigo pé de maçã selvagem no parque local e sonhar com alguma forma de comprar uma montanha inteira. Não permitir a entrada de ninguém, sem precisar discutir. Quem moraria lá? Os esquilos, isso era tudo que eu conseguia imaginar. Leitor, não ria, mas, além de Bobby, o nosso hamster, os esquilos eram os únicos animais que eu já tinha visto. Meu irmão, bem socializado com a masculinidade, passou a torturar insetos e atirar em pardais com o estilingue. Eu me tornei vegan.

Sim, eu era uma criança muito sensível. Minha música favorita aos cinco anos, e aqui você está autorizado a rir, era Those Were The Days de Mary Hopkin [3]. Que passado romântico e trágico eu poderia ter lamentado aos cinco anos de idade? Mas era tão triste, tão requintado; eu ouvia a música de novo e de novo até ficar exausta de tanto chorar.

Ok, é engraçado. Mas eu não consigo rir da dor que senti com a minha impotência ao testemunhar a destruição do meu planeta. Isso foi real e tomou conta de mim. E os vegetarianos políticos me ofereceram um curativo convincente. Sem compreensão da natureza da agricultura, da natureza da natureza, ou enfim da natureza da vida, eu não tinha como saber que, apesar de seus impulsos honoráveis, sua prescrição era um beco sem saída que levava para a mesma destruição que eu ansiava ardentemente impedir.

Esses impulsos e ignorâncias são inerentes ao mito vegetariano. Por dois anos depois que voltei a comer carne, fui compelida a ler fóruns vegans on-line. Eu não sei por quê. Eu não estava procurando por uma briga. Eu mesmo nunca postei nada. Muitas pequenas e intensas subculturas têm elementos semelhantes a cultos, e o veganismo não é exceção. Talvez a compulsão tivesse a ver com a minha própria confusão espiritual, política e pessoal. Talvez eu estivesse revisitando a visão de um acidente: ali era onde eu havia destruído meu corpo. Talvez eu tivesse dúvidas e quisesse ver se conseguiria segurar a mim mesma contra as respostas que eu havia segurado firme; respostas que pareciam corretas, mas agora pareciam vazias. Talvez eu não saiba por quê. Isso me deixava cada vez mais ansiosa, irritada e desesperada.

Mas um post marcou um ponto de mudança. Um vegan jogou sua idéia de como evitar que os animais fossem mortos, não por seres humanos, mas por outros animais. Alguém deveria construir uma cerca no meio do Serengeti, e dividir os predadores das presas. Matar é errado e nenhum animal jamais deveria ter que morrer, então os grandes felinos e os caninos selvagens ficariam de um lado, enquanto os gnus e as zebras viveriam do outro. Ele sabia que os carnívoros ficariam bem porque não precisam ser carnívoros. Isso era uma mentira que indústria da carne disse. Ele tinha visto seu cão comer grama: portanto, os cães poderiam viver de grama.

Ninguém protestou. Na realidade, outros entraram na conversa dele. Meu gato come grama também, uma mulher acrescentou, com todo o entusiasmo. O mesmo acontece com o meu, alguém postou. Todos concordaram que cercar era a solução para a morte dos animais.

Note bem que o local para este projeto libertador era a África. Ninguém mencionou a pradaria norte-americana, onde carnívoros e ruminantes foram ambos extirpados para os grãos anuais que os vegetarianos abraçam. Mas eu vou voltar a isso no Capítulo 3.

Eu sabia o suficiente para entender que isto era insano. Mas ninguém mais no fórum conseguia ver algo de errado nesse esquema. Então, na teoria de que muitos leitores não têm o conhecimento para julgar este plano, eu vou fazer isso agora.

Carnívoros não podem sobreviver de celulose. Eles podem, ocasionalmente, comer grama, mas elas a usam medicinalmente, geralmente como um purgante para limpar seus aparelhos digestivos de parasitas. Ruminantes, por outro lado, evoluíram para comer grama. Eles têm um rúmen (daí o ruminante), o primeiro de uma série de estômagos múltiplos que atua como uma cuba de fermentação. O que realmente está acontecendo dentro de uma vaca ou de um gnu é que as bactérias comem a grama, e os animais comem as bactérias.

Leões e hienas e os seres humanos não têm o sistema digestivo dos ruminantes. Literalmente, de nossos dentes aos nossos intestinos, somos projetados para carne. Nós não temos nenhum mecanismo para digerir celulose.

Assim, no lado carnívoro da cerca, a fome matará todos os animais. Alguns vão durar mais tempo do que outros, e estes vão acabar os seus dias como canibais. Os carniceiros terão uma festa de terça-feira gorda, mas quando os ossos ficarem limpos, eles vão morrer de fome também. O cemitério não termina aí. Sem comedores de grama para comer a grama, a terra acabará por se transformar em deserto.

Por quê? Porque sem comedores de grama para literalmente nivelar o campo, as plantas perenes amadurecem, e recobrem o ponto de crescimento basal na base da planta. Num ambiente frágil como o Serengeti, a decomposição é na maior parte física (intemperismo) e química (oxidativa), não bacteriana e biológica como num ambiente úmido. De fato, os ruminantes assumem a maioria das funções biológicas do solo digerindo a celulose e devolvendo os nutrientes, mais uma vez disponíveis, sob a forma de urina e fezes.

Mas sem ruminantes, a matéria vegetal vai se acumular, reduzindo o crescimento, e começar a matar as plantas. A terra nua está agora exposta ao vento, sol e chuva, os minerais se esvaem, e a estrutura do solo é destruída. Em nossa tentativa de salvar os animais, matamos tudo.

No lado dos ruminantes, os gnus e amigos vão se reproduzir tão efetivamente como sempre. Mas sem o freio de predadores, vai rapidamente haver mais comedores de grama do que grama. Os animais vão acabar com sua fonte de alimento, comer as plantas até o chão, e depois morrer de fome, deixando para trás uma paisagem seriamente degradada.

A lição aqui é óbvia, embora seja profunda o suficiente para inspirar uma religião: nós precisamos ser comidos tanto quanto precisamos comer. Os comedores de grama precisam de sua celulose diariamente, mas a grama também precisa dos animais. Ele precisa do estrume, com seu nitrogênio, minerais e bactérias, que necessita do freio mecânico da atividade de pastejo, que precisa dos recursos armazenados nos corpos dos animais e liberados pelos decompositores quando os animais morrem.

A grama e os comedores de grama precisam uns dos outros tanto quanto predadores e presas. Estes não são relacionamentos unidirecionais, e não são arranjos de dominação e subordinação. Não estamos explorando um ao outro ao comer. Estamos apenas fazendo turnos consecutivos.

Essa foi a minha última visita aos fóruns vegans. Percebi então que pessoas tão profundamente ignorantes sobre a natureza da vida, seu ciclo mineral e troca de carbono, seus pontos de equilíbrio em torno de um antigo círculo de produtores, consumidores e decompositores, não ia ser capaz de guiar-me ou, na verdade, fazer quaisquer decisões úteis sobre uma cultura humana sustentável. Dando as costas ao conhecimento adulto, o conhecimento de que a morte está incorporada no sustento de cada criatura, de bactérias a ursos, eles nunca seriam capazes de saciar a fome emocional e espiritual que doía em mim por aceitar este conhecimento. Talvez no final este livro seja uma tentativa de mitigar essa dor eu mesma.



[1] N.T. No original, trata-se do livro Silent Spring, de Rachel Carson, escrito em 1962, e considerado como o marco inicial do movimento ambientalista.
[2] N.T. Ator americano que ficou famoso por sua cena do índio que chora por causa da destruição causada pelo homem branco.
[3] N.T. Trata-se de uma canção que fala sobre um tempo bom que ficou no passado, cujo título pode ser traduzido como Aqueles eram os dias.
Atradução das primeiras 14 páginas do livro, disponíveis originalmente no site http://umanovacultura.blogspot.com.br/

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