09 outubro 2012

Médicos e a prescrição de atividade física. Somar e não subtrair. Análise crítica.


Essa novidade têm gerado bastante polêmica e tenho ouvido e lido comentários controversos, de uma forma  geral,  à respeito do assunto.

Estou me referindo ao fato de médicos (na verdade não são só médicos) de todo o Estado de São Paulo estarem sendo treinados para incluir no receituário, além de remédios, outro importante aliado no tratamento de doenças:  a prática diária de atividades físicas.

Li comentários  "metendo o malho"  no Sistema COnfef/CRef,  "descendo o sarrafo" na classe médica e também  criticando profissionais da área de Educação Física simpatizantes à idéia, como por exemplo, eu.  Com todo respeito,  tenho opinião própria e analiso da seguinte forma:.

1) À princípio, entendo esse novo cenário de forma positiva! .

2) De forma alguma temo em perder a minha função, em ser substituída pelo médico, em ser prejudicada. Ao contrário, penso que  irá valorizar ainda mais a minha forma de atuação profissional. 

3) O médico não irá prescrever atividades física  O foco será no combate ao sedentarismo e na promoção da saúde e prevenção. Ele será orientado à praticar.

4) Profissionais da área da saúde podem orientar para a prática de  atividade física para promoção da saúde.

5) Tenho claro as recomendações.  

6) Acho bom que um médico indique  uma dose de 30 minutos de atividade física por dia, na maior parte dos dias da semana (preferencialmente todos), de forma contínua ou acumulada, e de intensidade moderada.

7) Acho bom que sugira a prática de musculação, ginástica, caminhada etc..  



8) O médico não vai me substituir. Ele não irá montar um  programa de treinos, uma planilha de corrida ou caminhada, uma aula de ginástica, uma série de musculação, enfim... Ele irá  orientar o indivíduo/paciente à procurar uma (um) personal trainer, ou  uma academia.  Isso é bom!  

9) O indivíduo que pratica atividade física sem orientação, por conta própria, já existe, já o faz. Basta ver o número de pessoas treinando sozinhas, nas academias ao ar livre ou em parques e avenidas.   A prescrição médica por atividades físicas em receituário aumentam as chances de mudança e procura pela orientação especializada. Isso é bom também, ao meu ver!

10) Vou aproveitar essa oportunidade e estreitar as relações com a classe médica, assim como com meus colegas fisioterapeutas e nutricionistas. Multidisciplinaridade sempre!

A matéria abaixo foi extraída do Jornal Grande ABC.

Receita médica incluirá atividade física

Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC
07/10/2012 às 7:00


Médicos de todo o Estado estão sendo treinados para incluir no receituário, além de remédios, outro importante aliado no tratamento de doenças: prática diária de atividades físicas.
A ideia foi lançada em 2009 nos Estados Unidos e implementada no ano seguinte. O Colégio Americano de Medicina Esportiva adotou como prática habitual de médicos de todas as especialidades a prescrição de exercícios físicos para o combate a males como hipertensão, diabetes e obesidade. Seja para crianças, adultos ou idosos.
O remédio deve ser mantido. Porém, as dosagens podem ser reduzidas gradualmente conforme o avanço na prática de atividades físicas. Dependendo da evolução do quadro de saúde, podem ser substituídas.
A instituição americana escolheu a Celafiscs (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano) para difundir a mesma orientação aos médicos brasileiros. Na semana passada, nos três dias em que ocorreu o Simpósio de Ciências do Esporte, no Centro de Convenções Rebouças, foram treinados cerca de 1.100 profissionais de todo Estado por meio de palestras e distribuição de material didático. O tema debatido esse ano foi Exercício é remédio.
Na Capital, participaram profissionais do Hospital das Clínicas, Albert Einsten e Instituto do Câncer. A expectativa é conseguir concretizar a iniciativa, inclusive em hospitais estaduais do Grande ABC, até o fim do ano. No Grande ABC há dois hospitais geridos pelo Estado, Mário Covas, em Santo André, e Serraria, em Diadema. O projeto conta com a parceria da Secretaria Estadual da Saúde. "O médico pode ajudar o paciente a sair do sedentarismo. O exercício é associado ao prazer por causa da liberação de diversas substâncias, como a endorfina. É por causa dessa sensação de bem-estar e conforto que queremos experimentar novamente no dia seguinte", explica o professor de educação física e pesquisador da Celafiscs, Timóteo Leandro de Araújo.
No entanto, é preciso ter cuidado com as mudanças bruscas. A dose ideal de exercícios é a de nível moderado, que permite conversação. Se a atividade for feita intensamente, há mais benefícios a curto prazo, mas provoca aumento da curva de risco com surgimento de fadiga muscular e lesões.
A sensibilização dos médicos é baseada na recomendação mundial para qualquer pessoa: atividade moderada de 30 minutos ao dia pelo menos cinco vezes por semana.
O pesquisador avalia que a classe médica atualmente exerce importante papel de mediador com a sociedade em termos de prevenção e investimento em qualidade de vida. "Medico ainda é o principal fator que modifica o estilo de vida das pessoas. Qualquer pessoa pode falar para você andar, mas ouvir do médico é diferente. É como se fizéssemos conspiração a favor da prática de atividade física."
Os médicos já treinados darão, junto com a receita da medicação e a ‘dose de exercícios', uma caixinha simbólica. Nela, virá bula com detalhes sobre os benefícios da prática de esportes.
Primeiros benefícios são psicológicos
O resultado do esforço físico diário moderado não é mensurado apenas com aumento da força muscular, flexibilidade ou fôlego. Os primeiros sinais que o corpo emite são exatamente os mais ausentes na vida moderna. "Aumento da autoestima, melhora no humor e rendimento. Depois, vêm os benefícios metabólicos, como diminuição da frequência cardíaca de repouso, queda na pressão arterial, dos níveis de açúcar e colesterol", explica o professor de educação física e coordenador do Celafiscs (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano), Timóteo Leandro de Araújo. A entidade atua na área de medicina esportiva, nutrição e fisioterapia e elabora pesquisas sobre o tema.
Apenas depois de três meses é que a prática de exercícios físicos provoca as modificações mais significativas na estrutura do corpo, como força da musculatura e capacidade de fazer atividade por mais tempo.
Quem cuida da alimentação e faz exercícios físicos regularmente raramente fica doente. É o caso do engenheiro mecânico Ivan Roger Gregori, 49 anos, que faz exercícios semanais há seis anos. "Se não faço, o corpo pede. O metabolismo acostuma e sinto falta." Para o engenheiro, a prescrição de exercícios ajudará muito a prevenir lesões, já que é comum a prática inadequada de esportes em busca da perda rápida de peso.
Histórico
Fundado em 1974, o Celafiscs é uma instituição científica independente, sem fins lucrativos, com o propósito de pesquisar a relação da atividade física e saúde em pelo menos quatro dimensões: recuperação, manutenção, promoção e excelência.
Além de treinar médicos para prescrição moderada de atividade física, o Celafiscs atua desde 2002 no projeto Agita São Paulo, também em parceria com a Secretaria Estadual da Saúde.

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