08 outubro 2012

Exercícos e prevenção de quedas em idosos!

A queda pode ser definida como uma mudança inesperada e não intencional de posição para um nível inferior ao inicial, ou ainda, como a perda total do equilíbrio postural, a qual está relacionada à insuficiência súbita dos mecanismos neurais e osteo-articulares envolvidos na manutenção da postura. Esta definição exclui a queda causada por força externa bruta ou crise convulsiva (1).  
Atualmente, as quedas constituem um problema sério de saúde pública, cujo peso socioeconômico tem acompanhado o aumento da população idosa. 



A ocorrência de quedas em idosos tem etiologia multifatorial e o consenso é de que parte destes eventos poderia ser prevenida (3). A maioria dos programas  de prevenção de quedas avalia o equilíbrio, a marcha, as medicações em uso e o ambiente domiciliar.


As conseqüências da queda vão desde hematomas e escoriações leves à fraturas, ressaltando-se a fratura de colo de fêmur e o traumatismo cranioencefálico. O medo de cair está freqüentemente presente; o isolamento social, a perda funcional, a fragilidade, a hospitalização ou institucionalização e a morte são os verdadeiros desfechos de interesse clínico. 
Um programa de prevenção de quedas tem  como objetivo promover a autonomia e a independência do idoso, minimizando os riscos  da queda e suas consequências, diminuindo o medo de cair e incentivando as atividades da vida diária (4). 
Considerando o envelhecimento como um  processo de degradação natural do organismo, o qual leva à diminuição da tolerância ao esforço, redução da força muscular, principalmente dos membros inferiores, perda óssea, reflexos mais lentos, distúrbios do equilíbrio e da marcha, alterações vestibulares, da propriocepção e da cognição, o exercício é considerado uma importante intervenção neste contexto, por todos os efeitos benéficos advindos da sua prática regular

Um estudo realizado na Austrália (5) , avaliando mais de 1000 indivíduos com idade igual ou  superior a 70 anos, mostrou que o exercício foi  a intervenção isolada que mais reduziu a taxa  anual de quedas, sendo esta redução ainda maior quando associado a outras intervenções.




Normalmente faz-se a avaliação através da escala de equilíbrio e da marcha POmA (“Performance - Oriented mobility Assessment”), um dos escores mais utilizados para análise do risco de quedas. Esta escala avalia o equilíbrio do aluno em diversas posições, como por exemplo, sentado, levantando-se, em pé e sentando, tentativa de levantar-se; a análise da marcha inclui seu início, o comprimento e a altura dos passos, a direção, a estabilidade do tronco durante o percurso e a distância dos tornozelos. A escala de POmA foi criada em 1986 por Tinetti, Willians e Mmayewxki  (7)  e adaptada culturalmente para o Brasil em 2003 por Gomes – POMA/Brasil (8). Quanto mais alta a pontuação, melhor o desempenho relativamente ao equilíbrio e à marcha e, conseqüentemente, menor o risco de queda.

A avaliação da mobilidade funcional é feita através do Time up and go, ou seja, do tempo em segundos que o idoso leva para levantar-se de uma cadeira, percorrer uma distância de 3 metros, regressar e tornar a sentar na mesma cadeira. Este tempo é considerado normal quando igual ou inferior a dez segundos e alterado quando superior a dez segundos, ou caso o avaliado não consiga realizar o teste, pela incapacidade 
de deambular. Assim, estratifica-se o risco de quedas e monta-se um treino específico de prevenção.

Os exercícios devem ser simples, para que o idoso possa reproduzí-los em casa . Se o programa objetivar, além da prevenção dos riscos de queda, a redução das suas consequências, é importante orientar o idoso a respeito de como cair e levantar e como passar da posição de pé para a de decúbito dorsal (6)





Referências Bibliográficas:
Decard/RJ Socerj 2008 nº7
1) Pereira sRm, Buksman s, Perracini m et al.Queda em idosos. Projeto diretrizes da sBGG. 2001
2) site da sociedade Brasiliera de Geriatria e Gerontologia: www.sbgg.org.br  
3) multifactorial assessment and targeted intervention for preventing falls and injuries among older people in community and emergency care settings: systematic review and meta-analysis. s Gates, J D Fisher, m W Cooke,Y H Carter,s E Lamb. BmJ.  2008; 336:130-133.  
4) site portal equilíbrio e quedas em idosos. www.pequi.incubadora.fapesp.br
5) Day L, Fildes B, Gordon I, Fitzharris m, Flamer H, Lord s. Randomised factorial trial of falls prevention among older people living in their own homes. BmJ.2002; 325:128.
6) Fisioterapia Geriátrica- A prática da assistência ao idoso. Rebelatto JR e morelli JGs. 2007- 2ªedição ampliada - Editora manole.
7) Tinetti ME. Performance – oriented assessment of  mobility problems in elderly patients. J Am Geriatr soc. 1986; 34(2):119-26. 
8) Gomes GC. Tradução, adaptação transcultural e exame das propriedades de medida da escala “performanceoriented mobility assessment” (POmA) para uma amostragem de idosos brasileiros institucionalizados [dissertação]. Campinas (sP): Universidade Estadual de Campinas; 2003.  
9) Lojudice DC, Laprega mR, Gardezani Pm, Vidal P. Equilíbrio e marcha de idosos residentes em instituições  asilares do município de Catanduva, sP.Rev. Bras. GeriatrGerontol. 2008; 11(2): IssN 1809-9823.





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