07 agosto 2012

HÉRNIA DE DISCO: Apenas 5% a 10% dos casos precisam de cirurgia!

 
 
 
 
 
 
Por PUVMS
 
 
 
Por trás de boa parte dos casos de dor nas costas está a hérnia de disco, causada por um desgaste progressivo da coluna vertebral.

Segundo estimativas, 80% dos brasileiros adultos terão pelo menos uma crise aguda de dor nas costas durante a vida, sendo que 90% deles apresentarão mais de um episódio.

A lombalgia, o incômodo mais freqüente e que atinge a região lombar (que vai da última costela até o início dos glúteos), já é considerada a segunda causa de incapacidade de trabalho, bem como o principal motivo de ausência no serviço, baixa produtividade e de aposentadorias por doença। E entre os principais causadores desses transtornos está a hérnia de disco.

A coluna vertebral é formada pela superposição de 33 a 34 vértebras que se estendem do pescoço até o cóccix. Cada vértebra é separada por um disco, uma estrutura fibrocartilaginosa - que funciona como um colchão de proteção ou amortecedor, capaz de absorver o impacto das forças que atuam na costas e de permitir a mobilidade, impedindo que os ossos raspem entre si. Esse disco é rico em água que diminui com o tempo, fazendo-o perder elasticidade e espessura. "Esse desgaste pode fazer parte do disco se projetar para o interior do canal vertebral, resultando em uma compressão mecânica da raiz dos nervos que saem da medula espinhal. É a hérnia, que pode se formar em qualquer segmento da coluna, porém é mais comum na região lombar", explica o médico Nelson Keiske Ono, professor de Doenças do Aparelho Locomotor da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Em geral, a saída do disco articular de sua posição original ocorre como resultado de múltiplos pequenos traumas na coluna que vão, com o passar do tempo, lesando a estrutura। "Entretanto, também pode ser conseqüência de um trauma, de um impacto repentino no disco após um acidente, como uma queda de cavalo, por exemplo", alerta o ortopedista Walter Fukushima, professor de Ortopedia da FMABC.

Hábitos que afetam o alicerce: De acordo com os especialistas, o sedentarismo também é um fator que contribui para o aparecimento dessa hérnia discal. Há uma troca de líquidos entre os discos e as vértebras estimulada pelos movimentos corporais. Daí, se você passa a maior parte do tempo sentado, além de causar muita tensão na coluna, esse vaivém de fluidos não acontece como deveria e aquela perda natural de água dos discos acaba se acelerando. Isso aumenta os riscos de dores, desvios e desgastes na região. Além disso, ficar largado no sofá aumenta muito a pressão exercida sobre a coluna vertebral। Para se ter uma idéia, uma pessoa de 70 quilos, sentada, recebe uma carga de aproximadamente 300 quilos nas costas। Em pé, esse peso cai pela metade.

Outro mau hábito que afeta as vértebras é o tabagismo. Os especialistas explicam que o cigarro diminui a oxigenação ao redor dos discos, deixandoos menos resistentes e elásticos. Estudos epidemiológicos relacionam até certas profissões com desgastes na coluna e, conseqüentemente, maior risco de se desenvolver hérnias de disco. Pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), por exemplo, comprovou que 59% dos caminhoneiros do Estado de São Paulo apresentam lombalgia e que, a cada hora no volante, o risco deles sofrerem com dores na região lombar aumenta em 7%.

O principal sintoma da hérnia de disco é a dor que se localiza, em geral, na região em que o disco intervertebral avariado provoca a compressão na raiz do nervo. Quando o nervo afetado é o ciático, por exemplo, as dores podem se irradiar para uma das pernas e alterar a sensibilidade da região, causando dormência ou sensação de agulhadas. "Ou pode atingir a parte motora, provocando atrofia muscular e paralisia na área afetada", acrescenta o ortopedista Walter Fukushima. Ou seja, se a raiz do nervo comprometida for a quarta vértebra lombar, haverá diminuição do reflexo do tendão patelar, aquela reação que as pessoas têm à marteladinha de praxe que o médico dá no joelho do paciente.


EXERCÍCIOS MELHORAM A TONICIDADE MUSCULAR, BEM COMO A OXIGENAÇÃO E NUTRIÇÃO DOS DISCOS INTERVERTEBRAIS. MAS DEVEM SER INDICADOS POR MÉDICOS

Diagnóstico clínico

A hérnia de disco apresenta alguns sintomas característicos, como dificuldade para caminhar, perda de tonicidade muscular, instabilidade, travamento da coluna vertebral. "Por isso, o diagnóstico é basicamente clínico, com base nas queixas do paciente e na avaliação realizada por um especialista", informa o professor Nelson Ono, da Faculdade de Medicina do ABC. Se necessário, o médico poderá pedir ainda exames por imagem. "Hoje, a escolha é pela ressonância magnética", revela.

No caso de dores nas costas que não melhoram de jeito nenhum, a ajuda médica e o diagnóstico correto são fundamentais não só para a indicação de um tratamento eficaz como para afastar a possibilidade de outras doenças que, assim como a hérnia de discos, também comprimem os nervos, entre elas tumores, problemas vasculares, reumatismos ou osteofitose (a saliência óssea nas vértebras, mais conhecida como bico de papagaio).

Diagnosticada a hérnia de disco, o tratamento, inicialmente, é feito mediante o uso de analgésicos e antiinflamatórios. Na fase aguda, os especialistas também indicam repouso absoluto por três dias na posição mais confortável. Passada essa fase, muitas vezes são recomendadas sessões de fisioterapia apropriadas para cada situação.

Cirurgia em último caso

Para o reumatologista Jamil Natour, chefe do Setor de Coluna Vertebral e Reabilitação do Departamento de Reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a cirurgia só deveria ser indicada quando o paciente não obtém sucesso com tratamentos menos invasivos ou quando há risco da hérnia causar seqüelas mais graves. Ou seja, de 5% a 10% dos casos. "Quando a hérnia é muito grande, geralmente há necessidade de retirada cirúrgica para descompressão dos nervos", completa o médico Nelson Ono, da FMABC.

Fontes:
http://www.tratamentodacoluna.com
Revista Viva Saúde

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