10 agosto 2012

EXERCÍCIO SUPINO: uma breve revisão sobre os aspectos biomecânicos


Qual é a maneira correta de executar o exercício  SUPINO? Quais os músculos envolvidos? Faz diferença  o tipo de empunhadura? E a inclinação do banco? Deve ser executado com a máxima amplitude articular  ou com limitação na amplitude articular? 



Pois é, essas foram as questões analisadas por pesquisadores e as conclusões do estudo publicadas em um artigo no Brazilian Journal of Sports and Exercise Research em 2010. É um artigo super recente, que analisou os aspectos biomecânicos deste exercício que é um dos  mais utilizados na musculação. 

Veja o que os pesquisadores analisaram:
  • Cinesiologia do exercício supino
  • Anatomia  dos músculos  envolvidos  no exercício supino
  • Ativação mioelétrica durante o exercício supino
  • Atividade muscular e  inclinações do banco no exercício supino
  • A  influência do afastamento da empunhadura no exercício supino 
  • Amplitude de movimento
  • Diferenças  na ação muscular  entre o exercício supino guiado (“máquina”) e não guiado (livre com barra).
  • Supino em base estável e instável.

Selecionei a parte relacionada a amplitude de movimento, pois essa é uma questão que gera confusão entre  os praticantes e até mesmo entre os profissionais nas academias.

Amplitude de movimento 


Os exercícios  geralmente são executados com toda amplitude de movimento permitida pela (s) articulação(ões). A força muscular  pode variar dependendo da amplitude do movimento em uma articulação específica. Possíveis mecanismos para tal variação podem ser em decorrência da relação comprimento-tensão muscular, no comprimento do braço de alavanca ou diferenças na ativação muscular. 

Acredita-se que para  o desenvolvimento da força em  toda  amplitude articular, o  treinamento deva  ser específico, utilizando desta forma, a maior  amplitude de movimento possível. Além do que, quando se utiliza toda amplitude  de movimento  a  flexibilidade é mantida ou melhorada.

Amplitudes de movimento parciais são técnicas utilizadas por indivíduos altamente treinados em muitos esportes, visando o aumento da força em  amplitudes específicas do movimento e, visando a  utilização de sobrecargas supra-máximas.  O estudo de Sullivan, Knowlton, DeVita  e Brown  mostrou que sujeitos treinados produzem mais torque em exercícios com amplitude parcial quando comparado à máxima amplitude. Entretanto,esse estudo foi realizado em um exercício monoarticular.  

Já o estudo de Moorkerjee e Ratamess analisou diferenças na produção de força 1RM  e 5RM em sujeitos treinados, utilizando amplitude parcial 90° de  flexão do antebraço e amplitude máxima para o exercício supino. Os resultados corroboram  o estudo de Sullivan,  Knowlton, DeVita  e Brown que observaram um  aumento na produção de força em amplitudes menores. Entretanto, o estudo de Massey, Vincent, Maneval, Moore e Johnson não  corrobora os estudos acima citados. Este estudo analisou o ganho em força (1RM) no supino, em sujeitos não treinados  após 10 semanas de treinamento. Os sujeitos foram divididos em 3 grupos amplitude parcial, amplitude máxima e controle, o qual foi definido por uma combinação de amplitudes parciais e máximas. Os resultados não mostraram diferenças no ganho de força, entre grupos, após as 10 semanas. Estudos que relacionam  aspectos aplicados  à prática, como a influência da amplitude e o efeito hipertrófico ou o grau de estresse articular em diferentes amplitudes de movimento não foram encontrados na literatura científica.

Espero que tenham curtido!



Artigo completo :

Brazilian Journal of Sports and Exercise Research, 2010, 1 (2) : 135- 142

EXERCÍCIO SUPINO: uma breve revisão sobre os aspectos biomecânicos Paulo Henrique Marchetti,  Claudinei Campos Arruda, Luiz Fernando Segamarchi,  Enrico Gori Soares,  Daniel Takeshi Ito, Danilo Atanázio da Luz Junior,  Osvaldo Pelozo Jr.,  Marco Carlos Uchida

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