29 julho 2012

HIV / AIDS, quebrando tabus!

Pessoas vivendo com o vírus HIV/Aids (PVHA) podem praticar atividades físicas e/ou aderir a um programa de exercícios físicos?

Pois é, não só podem como devem !

E para quebrar o tabu, seguem as novas recomendações que MINISTÉRIO DA SAÚDE através da Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais elaborou com base em alguns estudos mais recentes que têm  mostrado os benefícios dessas práticas para pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA). 
Os objetivos centrais das presentes recomendações são aumentar o nível de atividades físicas das PVHA e a prática sistematizada de exercícios físicos, desde o momento inicial de acompanhamento das pessoas assintomáticas até seu tratamento, com o intuito de trabalhar a prevenção de agravos e o tratamento complementar das complicações inerentes à infecção pelo HIV e aos eventos adversos da medicação antirretroviral. 

A prescrição e o monitoramento do treinamento físico para PVHA devem considerar individualmente a aptidão física relacionada à saúde, o estágio da doença, o esquema terapêutico (medicação) e os seus efeitos adversos e são de responsabilidade exclusiva do profissional da Educação Física.
Já a orientação para a prática de atividades físicas pode ser feita por qualquer profissional da saúde.

Os principais benefícios evidenciados da prática do exercício físico para as PVHA são:
  • Não diminui a contagem do número de linfócitos T CD4+, quando bem orientado e prescrito, com acompanhamento;
  • Melhora a composição corporal tanto de pacientes em TARV como dos que não fazem uso desta, com diminuição da gordura da região central e da massa gorda total (gordura) e aumento da massa magra total (muscular);
  • Melhora a aptidão cardiorrespiratória, aumentando o VO2 máximo;
  • Melhora a força e a resistência muscular;
  • Diminui a ansiedade e depressão;
  • Estimula a aquisição de hábitos de vida saudáveis.

TREINAMENTO AERÓBIO


O American College of Sports Medicine (ACSM) recomenda que a intensidade do esforço para o aprimoramento da capacidade cardiorrespiratória deva situar-se entre 55 a 90% da frequência cardíaca máxima (50 a 85% do VO2 máx). 
As respostas fisiológicas ao treinamento aeróbio de PVHA têm sido, na maioria das vezes, as mesmas apresentadas por indivíduos não portadores do vírus.
Os estudos indicam que os exercícios aeróbios de intensidade moderada ou alta parecem não apresentar riscos para as PVHA.  Um programa de treinamento aeróbio para PVHA deverá contemplar os princípios básicos do treinamento desportivo, assim como levar em consideração o nível de aptidão física de cada indivíduo, o estágio da doença, a medicação e os efeitos colaterais. 
O Quadro abaixo apresenta exemplos de estudos que contemplam o treinamento aeróbio, constando o nível de evidência, autores, frequência (número de dias por semana), duração (minutos da sessão) e os principais resultados. Esse mesmo modelo de quadro será utilizado para os treinamentos de força e combinado.
Os estudos foram classificados de acordo com os níveis de evidência do Centre for Evidence Based Medicine de Oxford (www.cebm.net): 
[ I ] - ensaio clínico randomizado ou revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados com desfechos clínicos; 
[ II ] - ensaio clínico randomizado ou revisão sistemática de ensaio clínico randomizado de menor qualidade, estudos observacionais ou revisão sistemática desses estudos;
[ III ] - ensaio clínico randomizado com desfechos substitutos não validados e estudo de caso-controle; 
[ IV ] - estudo com desfecho clínico, porém, com maior potencial de viés;
[ V ] - fórum representativo ou opinião de especialista sem evidências dos níveis supracitados.

Síntese dos principais resultados decorrentes do treinamento aeróbio:
a) Parâmetros modificáveis: aumento da capacidade cardiorrespiratória (consumo de oxigênio - VO2), diminuição da massa corporal total e da fadiga.
b) Parâmetros não modificáveis: CD4 (linfócitos T CD4+).


TREINAMENTO DE FORÇA

Um dos efeitos marcantes do treinamento de força é o aumento da área de secção transversa do músculo, ou seja, hipertrofia muscular (aumento da massa muscular magra), proporcionando melhoria na capacidade funcional das PVHA, ou seja, pode melhorar a execução das tarefas da vida diária, pelo fato de aumentar a resistência muscular localizada
Em indivíduos não atletas, a força muscular pode ser aumentada por quase todos os métodos, desde que as cargas excedam aquelas usadas nas atividades diárias normais; entretanto, o método mais utilizado para o treinamento de  força de PVHA é o resistido progressivo ou de resistência progressiva.
Estudos com treinamento de força também descrevem mudanças significativas nos parâmetros metabólicos de PVHA, atenuando as alterações advindas da síndrome lipodistrófica, como: redução dos triglicérides, aumento do HDL, melhora da resistência à insulina e do perfil lipídico.


Síntese dos principais resultados decorrentes do treinamento de força:
a) Parâmetros modificáveis: aumento da força e massa muscular.
b) Parâmetros não modificáveis: CD4 (linfócitos T CD4+).


TREINAMENTO COMBINADO

O treinamento combinado, também denominado de concorrente, é a associação dos componentes aeróbio e de força na mesma sessão de treinamento, almejando-se a melhoria desses componentes em um período menor de treinamento. Salienta-se que os estudos sobre treinamento combinado não evidenciaram a imunossupressão e nem o aumento das células T CD4+ dos pacientes.
Síntese dos principais resultados decorrentes do treinamento combinado:

a) Parâmetros modificáveis: aumento da capacidade cardiorrespiratória (consumo de oxigênio - VO2) e muscular (força e massa muscular).
b) Parâmetros não modificáveis: CD4 (linfócitos T CD4+) e carga viral.

Exemplo de treinamento combinado:
  • Aeróbio: caminhar, correr ou pedalar durante 30 minutos, utilizando 50 a 75% da frequência cardíaca máxima.
  • Força: sequência de 8 tipos de exercícios de musculação em aparelhos fixos alternando partes superior e inferior do corpo, como por exemplo: exercício para o tríceps no puxador alto, membros inferiores (quadríceps femoral),  bíceps no banco Scott, abdominais, dorsal no puxador alto, posteriores da coxa na rosca romana, peitoral no voador, glúteos (puxador baixo).

INDICAÇÕES E CONTRA INDICAÇÕES

A atividade física e a prática regular de exercícios (treinamento físico) aumentam a disposição e a autoestima, além de ajudarem a prevenir os problemas causados pela lipodistrofia (dislipidemia, resistência à insulina, osteoporose) e as doenças cardiovasculares, sendo muito importantes para as PVHA. 
Pacientes clinicamente estáveis poderão praticar exercícios físicos desde que submetidos a avaliação e liberados pelo médico que os acompanham. Deverão ser avaliados o risco cardiovascular (pela Escala de Risco de Framingham) e outras comorbidades relacionadas ao desenvolvimento de doença cardiovascular, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo II e obesidade. 

Os benefícios da prática incluem:
  • Melhora da qualidade de vida, capacidade cardiorrespiratória e força muscular;
  • Prevenção da osteoporose;
  • Controle de peso, diabetes e dislipidemia;
  • Melhora transitória do sistema imunológico;
  • Menor incidência de estresse e depressão;
  • Melhora do estado nutricional (IMC); 
  • Melhora da composição e imagem corporal. 
As contraindicações para a prática de exercícios físicos (treinamento físico) são: 
  • Imunodeficiência avançada na presença de infecção oportunista; 
  • Presença de comorbidades que contraindiquem a sua prática (hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo II não controladas); 
  • Hepatopatia grave com plaquetopenia (risco de sangramento);
  • Alto risco cardiovascular* ou outras situações clínicas a serem analisadas pelo médico do paciente.
Espero que tenham gostado!

Fonte:
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais.    Recomendações para a prática de atividades físicas para pessoas vivendo com HIV e aids / Ministério da Saúde,  Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. – Brasília: Ministério da Saúde, 2012.

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