27 julho 2012

Musculação. Desvendando alguns mitos!

Musculação é bom? É ruim? Só ganha massa magra quem toma suplemento? É a melhor prática para estética? Crianças e idosos podem praticá-la?

Apesar dos avanços técnico-científicos já alcançados, a disseminação de informações equivocadas (os chamados “mitos”) quanto aos efeitos da musculação sobre o organismo ainda dificultam sua difusão como modalidade de atividade física favorável ao desenvolvimento e aprimoramento harmônicos da saúde humana. Um dos fatores que contribuem para essa situação está relacionado à concepção que restringe a aplicação da musculação ao fisiculturismo (bodybuilding).
Muito criticado principalmente por sua frequente associação com os esteroides anabolizantes e outros recursos anabólicos, o fisiculturismo, em razão do desenvolvimento exagerado da musculatura, conseguido à custa de exercícios árduos com cargas bastante elevadas, constitui-se, ainda que involuntariamente, no principal responsável pela discriminação da musculação como atividade saudável. Em verdade, o universo de aplicação da musculação é amplo e relaciona-se a propósitos esportivos, estéticos e profiláticos.

A seguir  desvendarei  alguns MITOS relacionados à prática da musculação:

MITO 1
  • Só é possível aumentar a massa magra tomando suplementos.

VERDADE - Treino e alimentação corretos são sufi cientes para o ganho de massa magra; a necessidade de suplementação só ocorre se houver defi ciência de algum componente e só um nutricionista poderá avaliar.

MITO 2
  • Crianças não podem fazer exercício de força.


VERDADE - Existem muitas opiniões desfavoráveis à aplicação dos trabalhos de força (musculação) em crianças e adolescentes, cujos motivos estão relacionados especialmente às preocupações com o crescimento, muito embora existam outras tantas que apontam para a utilização segura destes trabalhos, sem nenhum prejuízo à formação corporal.  De acordo com McArdle, Katch e Katch (2002), a preocupação com a possibilidade de sobrecarga muscular excessiva ocasionar lesões nas crianças em crescimento justifica-se pelo fato do sistema esquelético apresentar-se ainda em estágio de formação, questionando-se inclusive a validade de um treinamento resistido para o aprimoramento da força em crianças cujo perfil hormonal encontra-se em desenvolvimento, especialmente em relação à testosterona (hormônio anabólico). Por outro lado, os mesmos autores chamam a atenção para a existência de evidências indicando que os programas de treinamento resistido devidamente supervisionados, utilizando níveis relativamente moderados de exercícios concêntricos, produzem um aumento significativo da força muscular em crianças, sem qualquer efeito adverso sobre ossos e músculos. A treinabilidade da força assume um papel importante no desenvolvimento corporal de crianças e jovens. Para tanto, o treinamento deve respeitar as particularidades do organismo em crescimento, visto que a ossificação do sistema esquelético só termina entre os 17 e 20 anos, o que torna o aparelho locomotor de crianças e jovens menos capacitado para suportar carga em relação ao adulto. Entretanto, nesse aparelho ainda em crescimento e maturação, mediante a tração e pressão sobre os ossos, exercidas por meio da atividade muscular, são desencadeados estímulos formativos e consequentes manifestações de adaptações, evidenciadas na modificação da estrutura óssea e na maior resistência do tecido conjuntivo, o que justifica a necessidade de um fortalecimento muscular em todas as faixas etárias com a correta dosagem dos estímulos, e a utilização de meios apropriados (WEINECK, 2000).

MITO 3
  • Idosos também não.


VERDADE -  Com o envelhecimento, ocorre diminuição da massa muscular; consequentemente, a força muscular. O declínio acentuado dos níveis de força em pessoas idosas pode comprometer a capacidade funcional-motora para realização das atividades da vida diária, bem como aumentar a ocorrência de quedas e fraturas. A inclusão de exercícios resistidos em programas de  condicionamento físico direcionados às pessoas idosas, desde que devidamente elaborados, pode promover adaptações favoráveis tais como: aumento nos níveis de força (associados ou não a certo grau de hipertrofia muscular) e melhora na execução das Atividades da Vida Diária (AVD), além de redução nas queixas de dores articulares.
Tantos benefícios dão suporte à utilização dos exercícios resistidos como recurso favorável à aquisição de bons níveis de aptidão funcional-motora pela população idosa, possibilitando-lhes a manutenção de melhores condições de saúde. No entanto, para eliminar possíveis riscos associados à prática da musculação, existem recomendações específicas para a elaboração de programas que possam garantir tais benefícios de forma segura e eficiente. Estas se encontram relacionadas a parâmetros como: número de séries e repetições; intervalos de recuperação; velocidade de execução dos movimentos; quantidade de exercícios por sessão; e frequência semanal.


Espero que tenham gostado!

Fonte
McARDLE, W. D.; KATCH, F.; KATCH, V.L. Fundamentos de fisiologia do exercício. 2.ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2002.
WEINECK, Jurgen. Biologia do esporte. São Paulo: Manole, 2000.

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